Documentoscopia

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Documentoscopia: tudo sobre o processo de perícia documental

Redação

Última atualização em

Jan 23, 2023

Sumário

Comprovar a autenticidade ou falsidade de um documento não é uma tarefa fácil. Cada vez mais, os fraudadores aperfeiçoam as técnicas de falsificação e desafiam o processo de perícia documental conhecido como documentoscopia.

É necessário muita técnica e conhecimento aprofundado por parte dos peritos para distinguir documentos verdadeiros e falsos e, assim, auxiliar na prevenção de fraudes nos mais diferentes segmentos.

Para aprimorar seu conhecimento, este post traz o mais importante sobre o tema, dos pontos principais de uma análise ao método a ser utilizado. Siga com a leitura e confira!

O que é documentoscopia?

Com base em análise da construção da palavra “documentoscopia”, temos o sufixo “scopia”, que tem origem no grego “skopéo” e quer dizer “observação”. Isso por si só já nos indica que esse processo diz respeito à observação de documentos, no caso, com o objetivo de identificar se os mesmos são verdadeiros ou falsos.

Indo mais a fundo nesse entendimento e com fins de obtermos uma definição mais técnica para o termo, podemos dizer que documentoscopia é a análise forense de um documento, uma perícia, em que diversas das suas características são observadas com a finalidade de comprovar sua autenticidade. 

As subdivisões dentro da documentoscopia

Para comprovar a autenticidade de um documento, há diferentes subdivisões de análise dentro da documentoscopia. Veja:

  • Grafotecnia: a análise da escrita manual;
  • Mecanografia: o estudo da escrita mecânica;
  • Alterações documentais: detecção de rasuras, acréscimos, substituições e/ou obliterações;
  • Exame de selos: análise com o objetivo de validar a autenticidade de selos e outros papéis de segurança;
  • Exame de tintas: análise de características físicas e químicas das tintas utilizadas em determinado documento;
  • Exame de suporte: verificação das características de suporte dos documentos, como papel ou polímero;
  • Exame de instrumentos gráficos;
  • Exame de moedas metálicas e papel-moeda.

A combinação de diferentes técnicas de análise documental é importante porque, enquanto há situações de adulteração em que apenas um indício basta para dizer se o documento é verdadeiro ou falso, outros casos requerem uma averiguação que atente para os mínimos detalhes.

Quais documentos podem ser analisados?

Os documentos que podem ser submetidos ao processo de documentoscopia podem ser divididos em dois tipos: 

  1. aqueles que possuem elementos de segurança;
  2. aqueles que não possuem elementos de segurança.

Os elementos de segurança estão presentes em documentos oficiais como a carteira de identidade e o passaporte. Podem ser referências incorporadas aos materiais que compõem o documento, como o papel e a tinta de impressão, uma holografia ou ainda a impressão de microletras, por exemplo.

Já entre os documentos que não possuem elementos de segurança, caso de uma escritura de imóvel, a análise de autenticidade passa pela observação de outras características, como suporte, impressão e escrita. 

Atualmente, o mais comum é que o processo de documentoscopia seja realizado nos seguintes documentos: 

  • Carteira de Identidade, 
  • Carteira Funcional, 
  • Cartões Bancários e de Crédito, 
  • Certidão de Nascimento, 
  • CNH, 
  • CRLV, 
  • CRV, 
  • Cédula Fiduciária, 
  • Ingressos,
  • Insígnias,
  • Título Eleitoral,
  • Histórico Escolar.

Apesar da documentoscopia poder ser feita com qualquer tipo de documento, aqui vamos focar na análise de documentos de identificação pessoal, sobretudo RGs, que é o que mais interessa ao nosso contexto de atuação antifraude. 

Os pontos principais em uma análise de documentos

Homem branco de meia idade com camisa social branca aponta para tela do computador

Ter clareza sobre os pontos principais que devem ser observados em uma análise de documentos é fundamental para a assertividade do processo e uma correta classificação dos documentos entre verdadeiros ou falsos.

Com base nisso, trazemos aqui quais são os pontos principais em uma análise de documentos de segurança, segundo o livro “Documentoscopia: o papel como suporte de documentos”, produzido pelo Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) e o Instituto de Criminalística (IC) em 2015. São eles:

  •  o conhecimento das especificações do produto, principalmente dos elementos de segurança incorporados ao papel e às impressões; 
  • a busca por um padrão (peça similar autêntica); 
  • a verificação da concordância do documento com o padrão; 
  • a verificação de rasuras, que consiste em alteração mecânica para a remoção de lançamentos. A rasura é geralmente produzida pelo atrito de uma borracha, uma raspadeira ou um instrumento similar; 
  • a verificação de lavagem química, total ou parcial. A lavagem química é uma modalidade de alteração documental que consiste em fazer desaparecer parte ou totalidade de um texto mediante o emprego de reagentes químicos; 
  • a verificação de acréscimos, que consiste na inserção de traços, letras, números, símbolos, sílabas, palavras ou frases em um documento já elaborado; 
  • a verificação de recortes, ou seja, cortes no suporte do documento efetuados com auxílio de tesoura, estiletes e/ou instrumentos similares; 
  • a análise grafotécnica (lançamentos manuscritos); e 
  • a análise da expedição. Quando necessário, o perito pode estender as análises para assegurar a legitimidade da expedição de um documento de segurança (Carteira de Identidade, Carteira Nacional de Habilitação, Certificado de Registro e Licenciamento de Veículo, etc.), no sentido de verificar se a expedição foi realizada pelo Órgão Expedidor, responsável para cada tipo de documento, analisando as impressões fac-similares de carimbos, as chancelas mecânicas, as impressões eletrônicas/mecanográficas dos dados variáveis, as assinaturas dos responsáveis pela expedição, entre outros. 

Por que a documentoscopia é importante?

É fato: as fraudes documentais aumentaram e desde grandes organizações até o usuário comum podem estar correndo riscos, capazes de gerar de prejuízos financeiros a danos de imagem. 

Basta você acompanhar o noticiário para ficar atualizado sobre os mais recentes golpes em aplicação na praça.

Para você ter uma ideia, segundo estudo sobre fraudes de identidade no Brasil em 2022, compartilhado pela plataforma global de verificação de identidade Sumsub e com dados do Serasa Experian, há 16 milhões de documentos de identidade falsificados (RG) em circulação somente no país.

Nesse cenário, a documentoscopia surge como uma forte aliada na prevenção às fraudes, já que a grande maioria delas se dá por meio da adulteração de foto, dados ou, ainda, da falsificação completa de documentos para cometer crimes como falsidade ideológica, estelionato e um variado leque de golpes que resultam em prejuízos financeiros.

Por que hoje ficou mais fácil fraudar?

Foi-se o tempo em que uma fraude documental demandava uma impressão com alta qualidade, mais sofisticação nos detalhes, gastos mais elevados e representava uma maior dificuldade para o fraudador. A transformação digital facilitou a prática desse tipo de crime.

Hoje, qualquer pessoa pode editar um documento no Photoshop e/ou outros editores de imagem.

Além disso, a internet possibilita o acesso fácil a templates, isto é, modelos de RG e CNH ou outros documentos para baixar e editar, o que torna as fraudes escaláveis e mais frequentes.

Como se isso não fosse o bastante, também se tornaram frequentes as ações criminosas que resultam em vazamentos de dados e acabam ampliando ainda mais os riscos de fraude documental.

Por tais motivos, é possível afirmar sem sombra de dúvidas que os profissionais e empresas voltados à prevenção desses crimes já não combatem as mesmas fraudes que conheciam há uma década.

Atualmente, ficou mais difícil prever todas as formas possíveis de fraude e muitas organizações têm tido grandes dificuldades para lidar e resolver o problema de forma eficiente.

Como funciona o processo de documentoscopia 

O avanço tecnológico não tem passado longe do processo de documentoscopia, que cada vez mais vê a substituição dos processos de análise manual por novos métodos de análise com auxílio da inteligência artificial. 

Siga com a leitura e fique por dentro do caminho que está sendo tomado pelas organizações quando o assunto é documentoscopia. 

A análise manual e seus problemas

Imagem meramente ilustrativa de um documento de identificação

Até alguns anos atrás, o padrão do mercado para a realização do processo de documentoscopia era trabalhar com uma mesa de análise manual. 

Como o próprio nome sugere, a mesa de análise manual é uma mesa física com cem, duzentos ou trezentos funcionários contratados para fazer a análise manual de documentos como RGs que passam pelo onboarding e avaliar se eles são verdadeiros ou não.

O processo pode ser resumido em os funcionários receberem a foto da frente e do verso de cada RG que as pessoas enviam, e, a partir disso, fazerem a análise.

Trata-se de um trabalho minucioso e, por isso, é fundamental que esses funcionários sejam mais do que pessoas treinadas, sejam especialistas.

É aqui que começam a aparecer os problemas. O primeiro é o volume de documentos enviados para a análise versus o número de funcionários necessários para executar essa tarefa com qualidade.

Quem trabalha há muitos anos na área, muitas vezes, só de olhar o documento já consegue verificar os traços que esse documento apresenta e decifrar a história por trás dele, mas quantas pessoas têm essa competência hoje no Brasil? Com certeza, muito poucos. 

Além disso, os funcionários gabaritados custam caro e possuem salários altos devido à sua experiência e falta de mão de obra qualificada no mercado antifraude.

Por isso, hoje, a realidade é que as pessoas que executam a verificação de documentos têm geralmente um ou dois anos de experiência na área.

Isso significa que, quando elas entram na função, não têm tanta vivência direta com análise, elevando as chances de errar e gerar prejuízos para as empresas.

Então, além dos problemas do grande volume e do alto custo, a mesa de análise manual, por mais técnica que ela seja, é também muito subjetiva e, não à toa, costuma registrar uma série de erros.

Análise semi-digital: a evolução da documentoscopia

Pensada para resolver os problemas registrados com o processo de análise manual, a análise semi-digital com auxílio da inteligência artificial tem se mostrado capaz de trazer muito mais eficiência à documentoscopia. 

Trata-se de uma forma mais rápida, segura e menos custosa de analisar documentos.

A documentoscopia semi-digital chega para complementar e eliminar muitas das etapas da análise manual, que segue sendo importante diante de casos específicos nos quais a tecnologia por si só não é capaz de garantir a autenticidade de um documento.

Com o uso da inteligência artificial junto ao processo de documentoscopia, há a possibilidade de comparar o padrão de um documento em análise com milhares de outros documentos do mesmo estado e ano de emissão, procurando inconsistências nos mais diferentes pontos de atenção que nele estão presentes.

Por exemplo: um dos indícios de que um RG foi fraudado está no seu alinhamento e a inteligência artificial pode ser programada para ler essa informação automaticamente e, assim, ser capaz de identificar anomalias que são um indicativo de fraude.

Um sistema de inteligência artificial também consegue identificar, através da foto do RG que chega no onboarding, se o documento foi adulterado digitalmente. Por exemplo, se a pessoa usar o Photoshop e editar o RG, a documentoscopia semi-digital facilmente pode detectar isso, algo que uma pessoa, a olho nu, talvez não consiga.

A documentoscopia semi-digital trata-se, portanto, de um processo menos subjetivo que possibilita chegar a um índice muito mais baixo de fraudes. 

Como funciona a documentoscopia na Caf

Na Caf, a documentoscopia é um processo semi-digital, no qual 90% dos RGs são avaliados por um sistema inteligente e só os outros 10%, em casos muito específicos, passam pelo olho humano de um perito.

O fluxo do sistema de documentoscopia da Caf apresenta diversas etapas e cada uma delas avalia um determinado conjunto de regras de emissão do RG. 

O padrão é que as análises ocorram de forma automática, mas sempre há um operador/avaliador manual para realizar a análise documental no sistema diante de casos como em que a conservação do RG e/ou a qualidade da imagem enviados pelo usuário  impedem a análise automatizada.

Toda essa análise acontece dentro do nosso sistema e, quando tudo acontece de forma correta e não há dúvidas sobre o documento, o prazo para finalização desse processo é de até um minuto. 

Trata-se da combinação perfeita para você obter a proteção necessária contra fraudes documentais e evitar prejuízos no seu negócio. 

Gostou do conteúdo? Esperamos que ele tenha te ajudado. Saiba que você também pode clicar neste link para falar com um especialista da Caf e solicitar uma demonstração sem compromisso. Vamos mostrar para você como nosso processo de documentoscopia funciona na prática.

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